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Audiodescrição das Coisas

Fotografia aproximada de alguns produtos de consumo identificados com qrcode de audiodescrição. Da esquerda pra a direita, uma plaquinha escrito Cinema Cego, gordices e delícias acompanhada de uma caixinha pequena de suco de uva, suco de manga, um toddynho, um pote de geleia, pote de milho de pipoca e garrafa de vidro com suco de uva.
Produtos de consumo do nosso escritório identificados com qrcode de AD para que nossos parceiros com deficiência visual possam ter autonomia na escolha do que consumir.

A audiodescrição é um recurso de acessibilidade que possibilita a qualquer pessoa ouvinte enxergar pelos ouvidos. Pode ser definida como um recurso de acessibilidade comunicacional que traduz o visual em verbal. É através da informação sonora transmitida pela audiodescrição que as pessoas com deficiência visual podem ter acesso à forma e conteúdo de tudo que é visual.

Este recurso de acessibilidade foi originalmente criado com o objetivo de tornar cinema e teatro acessíveis às pessoas cegas mas não se restringe as artes. E o motivo é muito óbvio. Não é apenas no cinema e teatro que as informações visuais são importantes.

Você já parou para pensar como uma pessoa cega escolhe as coisas que usa em sua vida diária? Desde o creme dental, o shampoo, a camiseta preta com estampa do Seu Madruga ou aquele batom rosa nude favorito?

Apesar de bem simples, isso ainda não é uma realidade. As pessoas cegas continuam sendo ignoradas. Seja no ramo farmacêutico, alimentício ou do vestuário, todos esses produtos que a gente utiliza diariamente continuam invisíveis para os milhões de brasileiros com deficiência visual.

Como resolver?

Nós, da Cinema Cego, criamos o conceito de AD DAS COISAS para preencher essa lacuna e trazer mais independência e autonomia para às pessoas cegas. Praticamente todos os produtos comercializáveis hoje em dia vêm com um qrcode na embalagem. Esse qrcode, ao ser lido pelo celular, pode trazer as principais informações do produto. Se for uma peça de roupa, por exemplo, é importante saber o modelo, o tamanho, a cor e a marca. Se for um remédio, o qrcode pode trazer o nome do remédio, formulação, a bula e o modo de usar. Se for um batom, saber a cor, se é cremoso ou mate pode fazer muita diferença. Ou seja, cada produto tem uma abordagem diferente.

Não basta colocar um qrcode que dá acesso a um site com jogos interativos e blá-blá-blá (como acontece com a maioria dos produtos que já tem qrcode na embalagem)! É preciso disponibilizar as informações que sejam realmente relevantes, para que a pessoa cega tenha respeitado o seu direito de escolha com total autonomia.

Algo tão simples de ser implementado e que pode fazer tanta diferença e trazer autonomia às pessoas cegas. Se você tem um negócio e vende produtos, pense nisso e mostre o que você tem de bom para todas essas pessoas.

Se precisar de ajuda, conte com a gente. Nós podemos te ajudar!

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Audiodescrição em Museus e Exposições de Arte

Fotografia da exposição ExAfrica com 3 quadros grandes alinhados lado a lado e algumas pessoas apreciando.
Exposição ExAfrica, CCBB Brasília 2018. Fotografia: Jane Menezes

Com o avanço na nossa legislação, muitos espaços públicos como museus e exposições de arte já oferecem obras acessíveis às pessoas com deficiência visual, através da audiodescrição. Este recurso de acessibilidade que transforma o visual em verbal, é indispensável para que as pessoas cegas também possam apreciar as obras de arte.

​A audiodescrição em museus e exposições de arte pode ser disponibilizada de algumas formas diferentes, nas modalidades gravada e ao vivo, tais como:

Gravada via QRCode: o roteiro da audiodescrição é elaborado e gravado previamente. Em seguida gera-se um QRCode que será impresso na ficha técnica, junto com as informações escritas. Nessa audiodescrição pode-se incluir falas do próprio artista e curiosidades sobre a obra, além de suas características físicas e demais informações relevantes sobre sua composição imagética;

Fotografia aproximada da ficha técnica de quadros expostos na parede. Em detalhe qrcode de audiodescrição com a logomarca cinemacego.
Exposição Meus Medos, Espaço Cultural Renato Renato Russo. Fotografia: Marx Menezes

Gravada via NFC: o roteiro da audiodescrição é elaborado e gravado previamente. Em seguida o áudio é gravado em um microchip de radiofrequência que pode ser fixado na própria obra ou na ficha técnica. Basta aproximar o celular para ter acesso à audiodescrição.

Fotografia de mulher aproximando o celular da ficha técnica de quadro em exposição. Detalhe aproximado da da ficha técnica e dispositivo com chip de aproximação NFC.

Gravada via Beacons: o roteiro da audiodescrição é elaborado e gravado previamente e em seguida configurado no próprio Beacon, que é um dispositivo de geolocalização que utiliza tecnologia Bluetooth Low Energy. Com o dispositivo instalado em pontos estratégicos é possível:

  • Enviar informações às pessoas que estão nas proximidades, com a programação do evento e um convite para visitarem a mostra;
  • Enviar informações sobre as obras expostas naquele ambiente, com curiosidades sobre sua história e seu criador, por exemplo;
  • Disponibilizar um áudio guia, com mapa interativo para orientar as pessoas (cegas e enxergantes) a se locomoverem dentro do espaço, indicando a direção correta para determinada obra;
  • Disponibilizar a audiodescrição sem a necessidade de aproximação do celular à obra, proporcionando uma experiência confortavelmente autônoma às pessoas com deficiência visual / contribuindo para a autonomia da pessoas com deficiência visual.
Fotografia de três homens lado a lado em exposição de arte com três quadros a mostra. No alto da parede da exposição está o dispositivo beacon que envia a audiodescrição para os celulares dos visitantes via conexão bluetooth.

Ao Vivo: Nesta modalidade, o audiodescritor elabora o roteiro de AD das obras com antecedência e faz as descrições diretamente para aos usuários. Nessa relação corpo a corpo, o audiodescritor pode disponibilizar as informações de acordo com o interesse dos usuários. Alguns gostam de saber curiosidades sobre a obra, com informações detalhadas sobre o artista, suas inspirações, modo criativo e etc. E outros preferem uma perspectiva mais geral e resumida. Essa interação feita de maneira personalizada gera mais envolvimento dos usuários com as obras e espaço da exposição, além de provocar uma maior sensação de pertencimento, na qual o usuário se sente verdadeiramente pertencente àquele espaço, minuciosamente pensado para recebê-lo.

​Um aspecto muito importante a ser considerado ao produzir uma audiodescrição é o público que irá apreciá-la. Geralmente, pessoas que visitam museus com maior frequência, preferem uma audiodescrição mais longa e detalhada, diferente dos visitantes casuais. Se o seu objetivo é satisfazer a um público misto, deve encontrar um meio termo que satisfaça a todos. ​Não estranhe se vir muitas pessoas videntes (que enxergam) se interessarem pelas audiodescrições das obras. Isso é muito comum.

Pense nisso ao elaborar seus roteiros.

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Professor(a) você sabia que a Audiodescrição pode melhorar a performance da sua comunicação em sala de aula?

A comunicação representa o sistema básico das experiências sociais, fundamental para o desenvolvimento da personalidade humana. É um processo de interação e compartilhamento de informações, conhecimentos, ideias e emoções. É a forma pela qual impactamos e somos impactados pelos outros.

Etimologicamente, a palavra comunicar vem do latim communicare, cujo significado é “tornar comum, partilhar”.

O processo de comunicação consiste na transmissão de uma mensagem entre um emissor e um receptor que decodifica (interpreta) uma determinada mensagem através de códigos, ou sistema de sinais. Para haver comunicação deve haver compreensão.

Imagine um professor em sala de aula, explicando um conteúdo de história. Nesta situação, o professor é o emissor da mensagem e os alunos, são os receptores. A mensagem, é o conteúdo e o código utilizado é composto pela linguagem escrita, verbal e não verbal.

Durante a explicação do conteúdo, o professor pode falar, escrever, desenhar e usar gestos para discutir os conceitos. Na ausência de qualquer um destes elementos ou fatores, ocorre um de ruído na comunicação, prejudicando o entendimento da mensagem pelo receptor.

Agora imagine que VOCÊ é esse professor de história. Pense na dinâmica dessa aula, introdução do conteúdo, desenvolvimento das ideias, uso de exemplos, imagem bacana sendo projetada, palavras-chave desenhadas pra enfatizar aspectos importantes e toda aquela dinâmica que ocorre durante uma aula de história muito massa. Agora imagine que na sua turma há um aluno cego. Ele ouviu muito bem tudo o que você disse durante a aula, mas não viu o desenho que você fez no quadro, não viu a imagem projetada, as palavras-chave escritas e muito menos a sua cara de espanto ao levantar um questionamento para turma. Quanta informação importante você acha que esse aluno cego deixou de receber?

Certamente MUITA informação passou batido, certo?

É justamente aí que a audiodescrição pode fazer toda a diferença nesse contexto. Saber o que foi desenhado, escrito e projetado no quadro, pode ser a ponte que separa o aprender e o ser excluído para o aluno com deficiência visual. Para os alunos videntes (que enxergam) essa verbalização ou explicação mais detalhada e consciente pode ampliar significativamente o entendimento sobre o conteúdo compartilhado.

Utilizar os elementos da audiodescrição para descrever as imagens símbolos e gráficos vai deixar a sua mensagem muito mais clara e completa. Potencializando o entendimento de todos (com e sem deficiência visual) a respeito da mensagem compartilhada.

É um salto muito expressivo no aprendizado individual e coletivo. Todos saem ganhando.

Seja inclusivo você também!

Se precisar de ajuda nesse processo, conte comigo! 😉

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Audiodescrição para crianças

A audiodescrição é uma ferramenta de acessibilidade comunicacional que transforma o visual em verbal. Foi desenvolvida para tornar cinema e teatro acessíveis às pessoas cegas mas hoje sua utilização tem se tornado cada vez mais presente em vários outros contextos. Sendo a escola o mais significativo de todos.

Em sala de aula a AD possibilita a inclusão daqueles que não enxergam e potencializa a participação e o envolvimento de alunos com TDAH, Autismo, disléxicos e idosos, pois revela detalhes que certamente passariam despercebidos.

Com crianças, a AD é fundamentalmente diferente porque o desenvolvimento de conceitos ainda está em processo de construção.

Crianças com deficiência visual tem algumas experiências limitadas pela ausência da visão e pelo contexto socioeconômico em que estão inseridas. Seu processo de aprendizagem é diferente. A informação que chega até elas, depende de todos os outros sentidos para serem assimiladas. Quanto mais estímulos essa criança receber através dos seus outros sentidos, maiores as chances de um aprendizado significativo.

E se você acha que a audiodescrição no ambiente escolar só tem utilidade na apresentação de filmes e exposições, está na hora de se atualizar. Essa ferramenta de acessibilidade comunicacional está revolucionando os espaços educacionais em várias escolas pelo mundo.

Todo professor, independente se trabalha com turmas comuns, educação especial ou sala de recursos, deve conhecer ferramentas que otimizem e respeitem os diferentes tipos de aprendizado. Sem falar que turmas inclusivas já são uma realidade em muitas escolas do país.

Embora tenha sido originalmente desenvolvida para deficientes visuais, as crianças que enxergam também podem ser beneficiadas pela audiodescrição em seu processo de alfabetização e aprendizagem. Na educação infantil, por exemplo, todo o ambiente escolar está sempre repleto de imagens e símbolos carregados de significados. Trabalhar estes significados intencionalmente, detalhando formas, cores e tamanhos pode contribuir significativamente para a ampliação do aprendizado de todos.

Se no ambiente escolar houver alguma criança com deficiência visual (cegueira ou baixa visão), a audiodescrição é uma ferramenta indispensável e deve fazer parte da rotina. Contribuindo para que esta criança se sinta acolhida, respeitada e inserida no ambiente. Fortalecendo sua autoestima e seus laços sociais.

Com a audiodescrição, os momentos de contação de histórias podem ser bem mais ricos de informações, aprendizados, cores e detalhes. Como as crianças pequenas têm um período de atenção muito curto, elas podem ter dificuldades em absorver grandes quantidades de informações verbais. Por isso, ao realizar a audiodescrição, forneça as informações mais relevantes, de maneira lúdica e envolvente. Para incrementar ainda mais estes momentos, a professora (ou professor) pode utilizar um painel com o cenário e os personagens da história, para que os alunos possam tocá-los. Se na história a vovó assou algum bolinho para sua neta, a professora pode borrifar essência de baunilha para enriquecer ainda mais essa experiência. Explore os sentidos além da visão e eleve sua aula para um outro patamar!

Tenho certeza que este momento será extremamente envolvente e rico de aprendizado para toda a turma.

Se precisar de ajuda, conte com a gente!

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Audiodescrição não é coisa de cinema!

É claro que quando digo que a AD não é coisa de cinema, a intenção é provocar uma reflexão em nossos leitores. Essa poderosa ferramenta de acessibilidade comunicacional é essencial em muitos outros espaços da vida cotidiana da pessoa cega, e não apenas no cinema, como muito imaginam.

Pensar que a Audiodescrição é uma tecnologia usada apenas para tornar cinema e teatro acessíveis às pessoas com deficiência visual não faz o menor sentido. Somos seres visuais, o mundo pós-digital é extremamente visual, somos movidos por imagens.

Você não tem tanta certeza? Pare um pouco e pense comigo: como é o cardápio de um restaurante, como são as fotos que estão ali? Os produtos que a gente escolhe, geralmente são aqueles com ou sem foto? E as vitrines de um shopping? E o que dizer da escola? Como são as paredes de uma escola infantil, você se lembra?

Com tudo isso em mente, pensar que audiodescrição é uma ferramenta exclusiva para o cinema e teatro é excluir a participação da pessoa com deficiência visual de todos os outros espaços sociais.

Por isso eu digo, audiodescrição é uma ferramenta para a vida. Lidamos com imagens desde que abrimos os olhos (ainda mais no dia de hoje, que as crianças já saem da barriga olhando para a tela de um celular). Alfabetizar a nossa capacidade de ler imagens através da audiodescrição nos permitirá ter uma postura de vida menos excludente e muito mais inclusiva e respeitosa.

Pense nisso! 😉