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Audiodescrição em Museus e Exposições de Arte

Fotografia da exposição ExAfrica com 3 quadros grandes alinhados lado a lado e algumas pessoas apreciando.
Exposição ExAfrica, CCBB Brasília 2018. Fotografia: Jane Menezes

Com o avanço na nossa legislação, muitos espaços públicos como museus e exposições de arte já oferecem obras acessíveis às pessoas com deficiência visual, através da audiodescrição. Este recurso de acessibilidade que transforma o visual em verbal, é indispensável para que as pessoas cegas também possam apreciar as obras de arte.

​A audiodescrição em museus e exposições de arte pode ser disponibilizada de algumas formas diferentes, nas modalidades gravada e ao vivo, tais como:

Gravada via QRCode: o roteiro da audiodescrição é elaborado e gravado previamente. Em seguida gera-se um QRCode que será impresso na ficha técnica, junto com as informações escritas. Nessa audiodescrição pode-se incluir falas do próprio artista e curiosidades sobre a obra, além de suas características físicas e demais informações relevantes sobre sua composição imagética;

Fotografia aproximada da ficha técnica de quadros expostos na parede. Em detalhe qrcode de audiodescrição com a logomarca cinemacego.
Exposição Meus Medos, Espaço Cultural Renato Renato Russo. Fotografia: Marx Menezes

Gravada via NFC: o roteiro da audiodescrição é elaborado e gravado previamente. Em seguida o áudio é gravado em um microchip de radiofrequência que pode ser fixado na própria obra ou na ficha técnica. Basta aproximar o celular para ter acesso à audiodescrição.

Fotografia de mulher aproximando o celular da ficha técnica de quadro em exposição. Detalhe aproximado da da ficha técnica e dispositivo com chip de aproximação NFC.

Gravada via Beacons: o roteiro da audiodescrição é elaborado e gravado previamente e em seguida configurado no próprio Beacon, que é um dispositivo de geolocalização que utiliza tecnologia Bluetooth Low Energy. Com o dispositivo instalado em pontos estratégicos é possível:

  • Enviar informações às pessoas que estão nas proximidades, com a programação do evento e um convite para visitarem a mostra;
  • Enviar informações sobre as obras expostas naquele ambiente, com curiosidades sobre sua história e seu criador, por exemplo;
  • Disponibilizar um áudio guia, com mapa interativo para orientar as pessoas (cegas e enxergantes) a se locomoverem dentro do espaço, indicando a direção correta para determinada obra;
  • Disponibilizar a audiodescrição sem a necessidade de aproximação do celular à obra, proporcionando uma experiência confortavelmente autônoma às pessoas com deficiência visual / contribuindo para a autonomia da pessoas com deficiência visual.
Fotografia de três homens lado a lado em exposição de arte com três quadros a mostra. No alto da parede da exposição está o dispositivo beacon que envia a audiodescrição para os celulares dos visitantes via conexão bluetooth.

Ao Vivo: Nesta modalidade, o audiodescritor elabora o roteiro de AD das obras com antecedência e faz as descrições diretamente para aos usuários. Nessa relação corpo a corpo, o audiodescritor pode disponibilizar as informações de acordo com o interesse dos usuários. Alguns gostam de saber curiosidades sobre a obra, com informações detalhadas sobre o artista, suas inspirações, modo criativo e etc. E outros preferem uma perspectiva mais geral e resumida. Essa interação feita de maneira personalizada gera mais envolvimento dos usuários com as obras e espaço da exposição, além de provocar uma maior sensação de pertencimento, na qual o usuário se sente verdadeiramente pertencente àquele espaço, minuciosamente pensado para recebê-lo.

​Um aspecto muito importante a ser considerado ao produzir uma audiodescrição é o público que irá apreciá-la. Geralmente, pessoas que visitam museus com maior frequência, preferem uma audiodescrição mais longa e detalhada, diferente dos visitantes casuais. Se o seu objetivo é satisfazer a um público misto, deve encontrar um meio termo que satisfaça a todos. ​Não estranhe se vir muitas pessoas videntes (que enxergam) se interessarem pelas audiodescrições das obras. Isso é muito comum.

Pense nisso ao elaborar seus roteiros.

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Contação de História com Audiodescrição

A contação de histórias é encantadora para crianças e adultos. Faz parte da rotina escolar, principalmente na educação infantil. Através da história é possível viajar no mundo da fantasia e ampliar a visão de mundo.

Na escola, as histórias infantis são utilizadas como recursos pedagógicos. Esse momento de contação de histórias é essencial para o letramento, pois permite a discussão de valores, regras sociais e formação de sujeitos críticos e reflexivos.

Ao ouvir histórias, as crianças transportam-se para o reino do faz de conta, encontram-se com os personagens, entram nos cenários onde as histórias se passam, percebem detalhes e encantam-se pelo colorido das páginas dos livros. Elas querem ver, querem ouvir e tocar os livros, sentir a história contada. Transformando este, em um momento mágico, encantador e envolvente.

Observe as páginas de um livro de histórias infantis e responda: somente o texto escrito é capaz de transmitir toda a riqueza de detalhes sobre os personagens, o cenário onde se passam as histórias e as cores exuberantes presentes nas ilustrações? Certamente que não. E é nesse espaço em que a audiodescrição mais pode contribuir. As ilustrações dos livros são criadas para complementar o texto escrito. Todas as cores e nuances foram cuidadosamente selecionadas para levar encantamento. Descrever as imagens das histórias enriquece a narrativa e prende mais a atenção e contribui para a ampliação do vocabulário de todos os alunos, promovendo a acessibilidade para os alunos que têm deficiência visual (cegueira ou baixa visão).

Essa verbalização descritiva dos detalhes que compõem a narrativa possibilita que as crianças com deficiência visual construam as imagens mentais e “visualizem” todos os elementos que fazem parte da história. Certamente será um importante diferencial que envolverá ainda mais as crianças nesse momento mágico. Abrindo portas para ampliar o conhecimento de mundo das crianças que não enxergam.

Como as crianças tem um período de atenção um pouco reduzido, não há necessidade de realizar descrições muito longas e complexas. É importante avaliar quais elementos merecem ser destacados em cada história, para que esse momento seja rico de emoções e possibilite um mergulho agradável no universo da história contada.

Imagem de um professora sentada em roda entre 4 alunos. Ela lê um livro de histórias e as crianças a observam atentamente.

Para fazer a AD durante uma contação de histórias em sala de aula é necessário preparar um roteiro escrito com antecedência para detalhar os pontos que serão ressaltados e trazidos à luz. Pode-se começar descrevendo o livro e a forma como ele está organizado, os detalhes da capa, as cores predominantes, o autor, ilustrador e todas as informações que mereçam destaque em uma história infantil.

É possível também fazer a gravação da história audiodescrita e gerar um QRCode para que os alunos possam escutar a história em qualquer outro lugar. Bastando, para isso, fazer a leitura do código com o celular conectado a internet.

Confira abaixo a fofura que conseguimos fazer sem nenhum recurso extraordinário. Convidamos apenas uma jovem colega para gravar as falas.

Note que este é um livro para crianças pequenas. Fomos seletivos nos elementos que incluímos na audiodescrição para não sobrecarregar a narrativa com excesso de informação. Dessa forma, pulverizamos as descrições dentro da própria história para não deixá-la em um momento separado. Nosso objetivo foi utilizar linguagem divertida para manter as crianças interessadas e envolvidas na história, descrevendo os detalhes visuais das ilustrações junto com a história contada.

Este livro foi um piloto que fizemos para apresentar às crianças de uma escola de ensino especial para deficientes visuais. No dia da entrega, estávamos um pouco tensos no momento de apresentar essa história para as crianças. Não sabíamos como elas receberiam o trabalho. Mas para nossa feliz surpresa, todas adoraram, acharam as vozes da nossa amiga Bianca muito divertidas e pediram bis. Ao final, pedimos que elas recontassem a história, fizemos perguntas sobre os personagens e todos participaram muito ativamente da atividade. Foi um momento muito divertido e que aqueceu muito os nossos corações.

Como você pode ver, foi um trabalho simples, muito fácil de produzir.

Experimente você também e volte aqui pra contar pra gente como foi a experiência.

Se precisar de ajuda, conte conosco! 😉

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Benefícios da Audiodescrição Pedagógica

Como vocês já devem saber, a audiodescrição é uma ferramenta muito poderosa e INDISPENSÁVEL para a inclusão de alunos cegos nas classes comuns.

Sua utilização no ambiente escolar pode ser uma estratégia muito eficiente para influenciar o engajamento e memória dos alunos, cegos e videntes.

Se bem trabalhada e alinhada aos objetivos de aprendizagem estabelecidos a AD pode ser extremamente benéfico para os alunos que possuem deficiência visual, proporcionando:

  • Maior conhecimento sobre o mundo visual;
  • Maior compreensão dos materiais audiovisuais;
  • Independência e eliminação de acompanhante para explicar o conteúdo visual ao aluno cego;
  • Conexão social;
  • Igualdade com pessoas videntes;
  • Maior conforto na discussão de assuntos conhecidos.

Como você pode ver, incorporar a audiodescrição na rotina escolar do aluno com deficiência visual (cegos e baixa visão) é, sem dúvida alguma, a ponte que separa o aprender e o ser excluído.

E embora tenha sido projetada para fornecer informações visuais para pessoas com deficiência visual, a AD se mostra proveitosa também para alunos que enxergam:

  • Faz com que todos os alunos apresentem ganhos significativos em seu processo de aprendizagem;
  • A descrição de detalhes que simplesmente passariam despercebidos em várias situações auxilia na ampliação da percepção visual;
  • Os indivíduos recebem mais estímulos, de forma que sejam processadas uma quantidade maior de novas informações;
  • Muito promissora para alunos no espectro do autismo, que podem ter dificuldade em reconhecer sinais emocionais, como expressões faciais, gestos e linguagem corporal (aspectos que pode ser cuidadosamente trabalhados na AD);
  • Amplia o aprendizado através de estímulos auditivos.
  • Auxilia no desenvolvimento da linguagem, melhorando os resultados da aprendizagem e fortalecendo as habilidades de comunicação escrita e oral.

E aí, você imaginava que a audiodescrição poderia ter tantos benefícios assim?

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Audiodescrição não é coisa de cinema!

É claro que quando digo que a AD não é coisa de cinema, a intenção é provocar uma reflexão em nossos leitores. Essa poderosa ferramenta de acessibilidade comunicacional é essencial em muitos outros espaços da vida cotidiana da pessoa cega, e não apenas no cinema, como muito imaginam.

Pensar que a Audiodescrição é uma tecnologia usada apenas para tornar cinema e teatro acessíveis às pessoas com deficiência visual não faz o menor sentido. Somos seres visuais, o mundo pós-digital é extremamente visual, somos movidos por imagens.

Você não tem tanta certeza? Pare um pouco e pense comigo: como é o cardápio de um restaurante, como são as fotos que estão ali? Os produtos que a gente escolhe, geralmente são aqueles com ou sem foto? E as vitrines de um shopping? E o que dizer da escola? Como são as paredes de uma escola infantil, você se lembra?

Com tudo isso em mente, pensar que audiodescrição é uma ferramenta exclusiva para o cinema e teatro é excluir a participação da pessoa com deficiência visual de todos os outros espaços sociais.

Por isso eu digo, audiodescrição é uma ferramenta para a vida. Lidamos com imagens desde que abrimos os olhos (ainda mais no dia de hoje, que as crianças já saem da barriga olhando para a tela de um celular). Alfabetizar a nossa capacidade de ler imagens através da audiodescrição nos permitirá ter uma postura de vida menos excludente e muito mais inclusiva e respeitosa.

Pense nisso! 😉

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Audiodescrição Pedagógica

Turmas inclusivas já fazem parte da realidade de muitas escolas brasileiras. É de fundamental importância que os educadores estejam preparados para que nenhum aluno seja excluído do seu direito de aprender.

As imagens são fundamentais no processo de ensino e aprendizagem. Para a inclusão de alunos com deficiência visual (cegueira ou baixa visão), é indispensável que a audiodescrição (AD) esteja presente na rotina escolar.

A grande maioria dos professores revela que se sente inseguro ao receber um aluno com necessidades educacionais específicas em sala de aula. E infelizmente o que acontece, na maioria das vezes, é que esses alunos acabam sendo excluídos de muitas atividades.

Em sala de aula as imagens são utilizadas a todo momento, seja na forma de um mapa, uma fotografia, uma obra de arte, um gráfico, a feira de ciências ou alguma apresentação teatral, cheia de gestos e expressões corporais.

​Em termos de pedagogia, a AD pode ser uma ferramenta dinâmica que facilita o envolvimento e potencializa a aprendizagem de todos os alunos, independente de sua condição visual, atuando como uma faceta do Design Inclusivo. Neste contexto, o objetivo da AD será fornecer conhecimento através da imagem. Esse trabalho ajuda os alunos a construírem um pensamento crítico sobre o mundo imagético que eles têm acesso dentro e fora da sala de aula.

O primeiro passo para começar a se familiarizar com essa nova forma de ensinar, é construir o hábito de verbalizar tudo o que se faz (gestos e expressões faciais/corporais) e escreve na lousa (palavras, desenhos ou gráficos).

Se for projetar uma imagem, descreva como é essa imagem e o que ela representa. Fez um desenho na lousa? Descreva-o também!

As imagens geralmente são utilizadas para complementar algum assunto falado. É de fundamental importância que os alunos que não enxergam também compreendam o sentido de sua utilização.

Além de incluir os alunos com deficiência visual, possibilitando que estes tenham acesso ao conteúdo visual trabalhado durante as aulas, a AD também atua como potencializadora da aprendizagem dos demais alunos. A descrição detalhada dos elementos visuais presentes na sala de aula, revela detalhes que certamente passariam despercebidos.

Tenha tudo isso em mente quando fizer o seu plano de aula. Se precisar de ajuda nesse processo, conte com agente!;-)

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Audiodescrição das coisas

Você já parou para pensar COMO uma pessoa cega ESCOLHE as coisas que usa em sua vida cotidiana? Desde o creme dental, o shampoo, a camiseta preta ou aquele batom rosa favorito?

Apesar de bem simples, isso ainda NÃO é uma REALIDADE. As pessoas cegas continuam sendo ignoradas. Seja no ramo farmacêutico, alimentício ou do vestuário, todos esses produtos que a gente utiliza diariamente continuam INVISÍVEIS para os milhões de brasileiros com deficiência visual.

Como resolver? Muito simples!

Nós, da Cinema Cego, criamos o conceito de AD DAS COISAS para preencher essa lacuna e trazer mais INDEPENDÊNCIA e AUTONOMIA para as pessoas cegas.

Praticamente todos os produtos comercializáveis hoje em dia vêm com um QRCODE na embalagem. Esse QRCode, ao ser lido pelo celular, pode trazer as PRINCIPAIS INFORMAÇÕES audiodescritas do produto. Se for uma PEÇA DE ROUPA, por exemplo, é importante saber o modelo, o tamanho, a cor e a marca. Se for um REMÉDIO, o QRCode pode trazer a bula e o modo de usar. Se for um BATOM, saber a cor, se é cremoso ou matte pode fazer muita diferença.

Ou seja, cada produto tem uma abordagem diferente. É algo muito simples de ser implementado mas que pode fazer muita DIFERENÇA e trazer autonomia às pessoas cegas.

Se você tem um negócio e produz ou vende produtos, PENSE NISSO e mostre o que você tem de bom para todas essas pessoas.

Se precisar de ajuda, conte com a gente! 😉